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Carlos Taveira (Piri)

Mateus da Costa e os trilhos de Megumagee

Mateus da Costa e os trilhos de Megumagee

2006


Texto Editores, Lisboa, 2006.
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Romance, 316p, ISBN 9789724731452
A história profundamente romanceada do primeiro homem negro a deixar uma marca no Canadá


Princípios do século XVII. Mateus da Costa existiu e foi o primeiro homem negro a marcar a história do Canadá. Nome português, homem livre, foi engajado pelos franceses como interprete das línguas índias do litoral canadiano. Pouco se conhecendo da sua vida, maior parte da intriga é imaginada. Megumaagee é o nome que os índios micmac davam ao seu país.


Excerto

« Nunca soube Mateus o que decorrera entre os dois momentos, aquele em que abandonara toda a esperança de sobreviver, e o outro em que os raios de sol aqueceram o corpo martirizado numa praia desconhecida. A areia na boca e a garganta salgada mal lhe permitiram um gemido de dor quando tentou levantar-se para fugir das ondas que varriam a orla da praia, tentativa infrutífera, nenhum músculo lhe obedeceu. As ondas mais fortes, lambendo profundamente a praia, empurravam-no pacientemente para longe do oceano, como se este, por um motivo desconhecido, o devolvesse ao mundo dos homens. E mais uma vez perdeu a consciência a meio de alucinações que lhe traziam murmúrios ampliados pela dimensão dos sonhos, "Kwe' Mateus, nós conhecemos o teu verdadeiro nome, bem-vindo ao nosso reino sem monarca, segue os sinais que te pusermos no caminho. Renasce marinheiro."
Quando acordou, impedido de abrir os olhos pelo sol a pique, apercebeu se do rosnar quase imperceptível e ameaçador de um invisível cão e ouviu os suspiros das vagas ao longe. Vozes excitadas falavam um idioma que lhe era totalmente estranho, "Bascos, devem ser bascos", mas a sua audição, afinada para a música das línguas, logo rejeitou essa hipótese, "Índios", e a palavra emergiu como uma martelada na cabeça repentinamente dolorida, o coração bateu forte, e abriu os olhos devagar, semicerrando-os para evitar a intensa luminosidade do céu.
Nesse momento, uma silhueta interpôs se entre ele e o sol. Visto de baixo para cima o homem parecia imenso, do corpo sobressaía uma espécie de tanga feita da pele de um animal desconhecido, um machado de pedra com cabo de madeira, e uma maça, semelhante às clavas tão utilizados na sua distante África. »





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